Olá, professor! Hoje vamos falar sobre uma técnica que ajuda a garantir que os Combinados sejam cumpridos em sala, sem que haja interrupção do fluxo da aula: a técnica Ação e Reação.
Você já deve ter percebido que os alunos sempre tentam descobrir se uma regra é realmente uma regra, principalmente com pequenas transgressões. Às vezes, a gente sente que chamar a atenção do aluno cria um conflito desnecessário, ou interrompe o fluxo da aula, e a tentação de ignorar esses pequenos problemas de comportamento é forte.
Estas são preocupações completamente legítimas, mas ceder a essa tentação pode ser o primeiro passo para uma turma indisciplinada! A técnica Ação e Reação te dá uma base para que esses momentos de correção e devolutivas não atrapalhem o andamento da aula.
Primeiro, seja completamente consistente com as regras que você criou. A gente já falou disso quando apresentamos a técnica Combinados. Agir com consistência consome energia, mas vale a pena. Se a sua reação à indisciplina for totalmente previsível, os alunos não serão pegos de surpresa ou perseguidos, se abrindo para a escuta e aprendizagem com o outro (BNCC 7). É muito mais fácil começar desde o primeiro dia do que estabelecer novas regras no meio do ano, mas sempre dá para começar!
Consistência é chave, mas precisa de empenho.
Segundo, preste atenção à forma com que você reage. Ela é muito importante! Sua linguagem corporal, a sua voz e suas palavras, também devem ser consistentes. Mantenha uma boa postura, fique de frente para o aluno que precisa de intervenção e faça contato visual constante, com uma expressão neutra ou positiva. Você não está gritando, mas sua voz é decisiva e enche a sala. E suas palavras são formais e diretas.
Finalmente, tenha uma resposta automática. Tendo automatizado o que você vai fazer e dizer para reagir a essas pequenas transgressões, você consegue manter o foco no que realmente importa: a aula. Afinal de contas, como professor, você precisa focar a sua energia no ensino. Se você não tem experiência na gestão de pequenos problemas de comportamento, e mesmo até se você tem, é fácil desviar sua atenção da lição. Mas com a prática, você será capaz de gerenciar distrações menores sem perder o foco no fluxo da aula.
E você pode praticar sozinho. Em um bloco de notas, escreva um desses pequenos problemas de comportamento em um lado do papel. Do outro, anote exatamente o que você vai fazer e dizer em resposta a ele. Pratique em qualquer lugar, esperando o ônibus, antes de dormir ou até mesmo na frente de um espelho.
Repare na sua postura, na sua entonação, nas palavras e pense em como melhorar. E aí, pratique, pratique, pratique!
Se quiser, pratique em dupla, com outro professor. Assim, quando o problema de comportamento acontecer com sua turma, você naturalmente já vai saber o que fazer.
Mais uma coisa: ser consistente e automático não significa ser um robô disciplinar.
Imagine que uma das suas expectativas é que os alunos fiquem sentados durante a aula. Mas quando você diz “pegue uma folha e passe o resto”, Natália se levanta para começar a distribuir os papéis. Um professor robô daria uma bronca por ela estar fora de seu assento quando não deveria. Mas para a Natália, você acabou de dar uma bronca quando ela só queria ajudar. Isso pode criar frustração e ressentimento. E com razão. Nestes casos, ainda é importante esclarecer o mal-entendido: isso é ser consistente. Mas se você reconhece que as intenções dos alunos eram boas, isso permite que você alinhe as expectativas, sem corroer a confiança. Lembre-se:
Boa prática!
BNCC 4.1.B.1 BNCC 8.1.A.1 BNCC 10.1.B.1